Sendo frequente que entre diversos países, ou mesmo em cada país, diferentes significações sejam atribuídas a um mesmo termo utilizado no meio Farmacêutico e/ou Médico parece-me essencial, na linha de partida do "O Técnico de Farmácia", começar por estabelecer alguns dos pontos básicos da linguagem que irei utilizar para que a cada termo corresponda sempre a mesma interpretação, ou seja, para que uma mesma mensagem possa ser recebida por todos com perfeito entendimento.
Tentarei, para isso, e apesar de certas dificuldades, harmonizar o mais possível,os termos e significados internacionais.
Aqui ficam pois os primeiros passos:
MATÉRIA PRIMA - Toda a substância utilizada na fabricação de um determinado produto (farmacêutico ou não).
DROGA - Toda e qualquer substância de origem animal, vegetal, mineral, sintética ou semi-sintética farmacologicamente activa quer com acção medicamentosa benéfica quer, pelo contrário, com acção tóxica deletéria.
FÁRMACO (princípio activo ou substância activa) - A substância que no produto farmacêutico é responsável pela acção medicamentosa (Profilática, Terapêutica ou Diagnóstica).
PRODUTO FARMACÊUTICO (Especialidade Farmacêutica) mais vulgarmente designado por Medicamento - Fármaco ou conjunto de fármacos, elaborado de modo a proporcionar acção medicamentosa quer no Homem (Medicina Humana) quer no Animal (Medicina Veterinária) e que carece de aprovação (prévia) e controle (prévio e a posteriori) das Autoridades Sanitárias competentes (Infarmed); há produtos farmacêuticos constituídos de diversas substâncias mas um só fármaco activo, os chamados Monofármacos, e produtos farmacêuticos com associações de mais de um fármaco, ou seja, os Polifármacos.
INERTE - Toda e qualquer substância que não é farmacologicamente activa, quer de origem animal, vegetal, mineral, sintética ou semi-sintética, ou seja, que não é portanto droga. Quer isto dizer que um produto farmacêutico é sempre uma associação de um ou mais fármacos e de um ou mais inertes (normalmente sempre mais doque um). A maior parte dos inertes (farmacologicamente falando) são agrupados na categoria dos Adjuvantes devendo porém ser referido que, por vezes, também se usam substâncias com alguma acção farmacológica, embora esta não seja relevante ou não seja a pretendida (é o caso, por exemplo, de certos Edulcorantes ou Aromatizantes).
FORMA FARMACÊUTICA - Formulação galénica sob a qual o produto farmacêutico é posto à disposição do doente (cápsulas, supositórios, xaropes, etc)
FORMA DE APRESENTAÇÃO - Conjunto físico sob cuja forma oproduto farmacêutico é cedido ao doente (caixa de ...). Pormenorizando: O produto Farmacêutico X tem as formas farmacêuticas de creme e comprimidos e as formas de apresentação de caixa com 20 ou 60 comprimidos e de bisnagas de 40 ou 100 gramas de creme.
PRODUTO ACABADO - Produto Farmacêutico que passou por todas as fases do processo fabril (em certa medida utiliza-se como sinónimo de forma de apresentação).
LOTE - Quantidade definida de um produto farmacêutico que, oriundo de uma mesma fabricação (por uma única fase ou sequência de diversas fases) apresenta garantias de homogeneidade em todas as suas unidoses, formas farmacêuticas ou formas de apresentação (ou seja, num mesmo lote tem de haver homogeneidade entre todos os comprimidos, ou cápsulas, etc, entre todos os frascos de xarope e as suas amostras parcelares: colher de sopa, etc, e entre todas as caixas de 10 supositórios, por exemplo).
Muitos outros termos e conceitos virão futuramente a ser apresentados e explanados a seu tempo, e o qual espero poder contribuir, permanentemente, para uma capaz recordação de conhecimentos esquecidos e para uma sistematização mais clara dos conhecimentos adquiridos, intenção que primariamente me motivou a esta nova apresentação.
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