"A obesidade é um problema de saúde pública em toda a Europa. Em Portugal cerca de‐estar psicológico dos visados mas‐discriminação, o respeito pela pessoa e pela sua autonomia é um
3 milhões de adultos têm peso excessivo, incluindo cerca de 400.000 com obesidade e
dentro destes cerca de 36.000 com obesidade mórbida. Entre as crianças e jovens um
terço tem peso excessivo, incluindo obesidade. As causas são múltiplas e complexas,
incluindo suscetibilidade genética, mas com forte influência de fatores decorrentes da
atual sociedade “obesogénica”. As instâncias oficiais têm que travar uma luta em
várias frentes contra esta epidemia, nas cidades, na escola, na comunicação social, na
indústria agroalimentar, nas estruturas do Serviço Nacional de Saúde. O combate é
contra a obesidade e não contra a pessoa com obesidade.
A exibição da obesidade severa, tal como no passado se fazia no circo ou nas feiras, faz
das pessoas em causa vítimas do espetáculo e acentua o estigma que a sua aptidão
física determina e que deve ser combatido. As experiências de estigmatização e
discriminação diminuem comprovadamente o bem
também a sua capacidade de adotarem e manterem comportamentos conducentes a
um peso mais saudável. A ética biomédica determina que, a par da promoção do bemestar
e da não
princípio orientador primordial das práticas profissionais na área da Saúde.
O dispêndio energético pelo exercício físico é um importante coadjuvante para a perda
de peso, mas o doseamento individual tem de garantir um acesso fácil, suportável e
sustentável, com condições de segurança, sendo que na obesidade mórbida esta
necessidade é muito importante. São desaconselhadas práticas predominantemente
baseadas na intensidade do esforço e na procura da superação, nomeadamente em
pessoas com fragilidades musculares e articulares. Procedimentos de natureza
espetacular que mais se assemelham a praxes podem não ser consentâneos com
práticas seguras, podem comprometer a aquisição de importantes recursos de
autorregulação individual, incluindo a automotivação, e podem limitar o
desenvolvimento do prazer associado à prática de atividade física no futuro.
A maioria das pessoas com obesidade tenta perder peso enquanto continua a sua vida
quotidiana. A modificação das práticas alimentares e a restrição energética deve ter
em conta esta situação e ser organizada por especialistas para se diminuir de uma
forma sustentada a ingestão de energia. A terapia alimentar deve ser pensada a longo
prazo e nunca com duração inferior a seis meses, com a implementação obrigatória de
um programa de manutenção posterior. Os objetivos de perda de peso devem ser
realistas. Nos primeiros seis meses, a redução de peso deve ter como objetivos a perda
de 500g a 1 kg por semana.É sabido que a obesidade grave pode estar associada a dificuldades psicossociais, tanto
nas suas causas como nas suas consequências. A exposição individual do sofrimento
psicológico não significa ultrapassar esse sofrimento, nem é o mesmo que a sua
compreensão, quer pelo próprio quer pelos outros. A vivência emocional atual dessas
problemáticas, sem a adequada contenção psicológica por um profissional de saúde
mental, pode conduzir a perturbações anteriormente não sentidas. Essa exposição
pode acentuar, mais tarde, e fora de certos ambientes aparentemente mais
protetores, ainda que não o sendo na realidade, sentimentos de embaraço e de perda
de autoestima e cimentar a ideia de que a pessoa com obesidade é portadora de
problemas emocionais e comportamentais difíceis e descontrolados. Contra esta ideia
se têm batido as associações de doentes e a comunidade científica."
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