terça-feira, agosto 02, 2011

Medicamento falsificado – Remicade, 100 mg, lotes n.º A81905, val. 5/2011, 07E09103, val. 6/2010, 9RMKA81102, val. 01/2012, 9RMKA84602, val. 06/2012 e 9RMKA84702, val. 09/2012

Decreto-Lei nº 93/2011 de 27-07-2011

       O presente decreto-lei permite o exercício alargado de funções nos centros de saúde por médicos especialistas em medicina geral e familiar, repristinando o artigo 9.º e os n.ºs 3 e 4 do artigo 11.º do Decreto-Lei n.º 73/90, de 6 de Março.
       Considera-se essencial o estabelecimento de um regime transitório que permita o exercício alargado de funções nos centros de saúde por médicos especialistas em medicina geral e familiar, até que seja possível a contratação de médicos com o horário de 40 horas semanais, que só acontecerá com o estabelecimento dos novos regimes remuneratórios da carreira especial médica.
       Para esse efeito, opta-se por repristinar as normas do Decreto-Lei n.º 73/90, de 6 de Março, que prevêem a possibilidade de contratação de médicos no regime de 42 horas. Este regime é aplicável apenas aos médicos especialistas em medicina geral e familiar contratados em funções públicas por tempo indeterminado na vigência do Decreto-Lei n.º 177/2009, de 4 de Agosto, para o exercício de funções em centros de saúde.
       O exercício alargado de funções por médicos nos centros de saúde permite, por um lado, que mais médicos estejam disponíveis para o atendimento dos utentes e que mais utentes possam ser atendidos em tempo útil nos seus centros de saúde. Por outro lado, contribui-se para o aumento dos cuidados prestados aos utentes do Serviço Nacional de Saúde, sobretudo dos cuidados de saúde primários, onde se verifica uma situação de escassez de médicos mais agravada.
       Por aplicação do regime previsto no Decreto-Lei n.º 177/2009, de 4 de Agosto, actualmente em vigor, o período normal de trabalho da carreira especial médica é de 35 horas semanais, sem prejuízo do disposto em instrumento de regulamentação colectiva de trabalho.
       Por sua vez, o acordo colectivo da carreira especial médica, constante do acordo colectivo de trabalho n.º 2/2009, publicado no Diário da República, 2.ª série, n.º 198, de 13 de Outubro de 2009, já prevê que o período normal de trabalho seja de 8 horas diárias e 40 horas semanais, organizadas de segunda a sexta-feira. No entanto, esse período de trabalho de 40 horas semanais só é aplicável após a revisão dos níveis remuneratórios da carreira especial médica.
       Assim, até à definição dos novos níveis remuneratórios da carreira especial médica, a contratação de médicos para o sector público administrativo obedece ao disposto no decreto-lei referido, ou seja, só é possível contratar médicos para o serviço público por período normal de trabalho de 35 horas semanais.
       Esta situação causa particular constrangimento a nível dos cuidados de saúde primários, onde existe escassez de profissionais.
       O presente decreto-lei visa atenuar essa escassez de profissionais, permitindo a contratação de médicos por um horário de trabalho mais alargado.
       Foram observados os procedimentos decorrentes da Lei n.º 23/98, de 26 de Maio.
       Assim:
       Nos termos da alínea a) do n.º 1 do artigo 198.º da Constituição, o Governo decreta o seguinte:
      
Decreto-Lei nº 93/2011 de 27-07-2011
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Artigo 1.º - Repristinação

       São repristinados o artigo 9.º e os n.ºs 3 e 4 do artigo 11.º do Decreto-Lei n.º 73/90, de 6 de Março, na redacção dada pelos Decretos-Leis n.ºs 412/99, de 15 de Outubro, e 19/99, de 27 de Janeiro, respectivamente.
Início de Vigência: 01-08-2011

segunda-feira, julho 25, 2011

Férias e viagens com mais saúde

1. Introdução

É sempre importante cuidar da sua saúde. Em tempo de férias, quer esteja em casa quer viaje, existem situações particulares que aumentam o risco para a saúde.
A escolha de lugares com condições climáticas diferentes em que a alimentação e os costumes são muito diversos daqueles a que está habituado, a mobilidade rodoviária, a ocorrência de grandes eventos como os festivais de música, a eventual propagação de doenças transmissíveis são, entre outros, alguns dos aspetos que implicam a necessidade de maiores cuidados com a saúde.
Em período de férias, zelar pela saúde e segurança da sua família, requer especial atenção. Tendo em conta que «mais vale prevenir do que remediar», a preocupação com a saúde e a segurança deverá estar presente na organização dos programas e das atividades de férias.
Faça férias ou viagens com mais saúde cumprindo antes, durante e depois das férias, os conselhos que lhe deixo em cada um dos tópicos em baixo.


2. Vacinas
Lembre-se das vacinas!
Verifique se as crianças e jovens até aos 18 anos têm as vacinas do Programa Nacional de Vacinação (PNV) atualizadas. Aos adultos recomenda-se que tenham atualizada a vacina contra o tétano e difteria (cada 10 anos). Se nasceu depois de 1969 deverá ter duas doses da vacina contra o sarampo (vacina VASPR). As vacinas incluídas no PNV são administradas gratuitamente nos centros de saúde e não necessitam de prescrição médica. 
Dependendo do destino e do tipo de viagem poderão estar recomendadas vacinas específicas para esses destinos pelo que deverá obter aconselhamento prévio com o seu médico assistente que o poderá orientar para uma consulta do viajante. Tenha em atenção que as recomendações sobre vacinação para viajantes são frequentemente atualizadas de acordo com a situação epidemiológica das doenças.


3. Alimentos e água
A diarreia do viajante é uma das principais causas de doença nas férias. A melhor forma de prevenção são os cuidados com a higiene e com a ingestão de água e alimentos, devendo selecionar-se os alimentos com menor risco de contaminação. Nem sempre se pode comer quando, onde e o que se quer.
Em relação aos alimentos tenha em atenção o seguinte:
  • Evitar alimentos cozinhados que tenham sido mantidos à temperatura ambiente durante várias horas;
  • Ingerir apenas alimentos bem cozinhados e, se possível, ainda quentes;
  • Evitar alimentos crus (p.e. mariscos e saladas);
  • Lavar bem e descascar a fruta antes de a comer evitando as saladas de fruta, bem como frutos cujo exterior não esteja intacto;
  • Só preparar saladas depois de mergulhar os alimentos durante 30 minutos num recipiente com 5 gotas de lixívia por litro de água;
  • Evitar alimentos que contenham ovo cru ou mal cozinhados (maionese, certos molhos e sobremesas);
  • Evitar alimentos adquiridos a vendedores ambulantes.
Em relação às bebidas tenha em atenção o seguinte:
  • Beber água engarrafada (verificar se o selo está intacto) ou água fervida;
  • Utilizar água engarrafada ou fervida para sumos, chá, café e gelo, e ainda para a escovagem dos dentes;
  • A água engarrafada deve ser descapsulada somente no momento em que é servida;
  • As bebidas frias engarrafadas ou empacotadas são, em geral, de confiança, desde que seladas; as bebidas quentes também são seguras;
  • Consumir apenas produtos lácteos (leite, queijo e derivados) pasteurizados.


4. Segurança
Se vai viajar de carro, lembre-se que:

  • O comportamento do condutor influencia largamente os resultados da viagem.
    • Planifique a viagem e tenha sempre em mente os riscos e os perigos relacionados com o estado de conservação e manutenção do veículo, a estrada e os outros condutores.
    • A fadiga diminui a capacidade de perceber o risco e responder atempadamente. O pico da fadiga ocorre de madrugada, entre as 2h e as 6h e, à tarde, entre as 14h e as 16h. O efeito da fadiga na condução é semelhante ao efeito do álcool.
    • Em viagens longas, pare a cada 2 a 3 horas, durante 10 a 15 minutos.
    • Em viagem, sinalize previamente todas as suas manobras: mudança de direção ou de faixa de rodagem, etc.
    • Dê prioridade aos peões. Pare nas passadeiras!
    • Em caso de acidente, ligue o 112.
       
  • O excesso de velocidade é um dos principais fatores de risco de acidente.
    • Cumpra os limites de velocidade e adeque a condução às condições climáticas e às condições da estrada, pois com o piso molhado a probabilidade de bater aumenta.
    • A redução de 1Km/h na velocidade reduz em 2% o número de acidentes. (OMS)
       
  • O uso de cinto de segurança reduz a gravidade das consequências dos acidentes.
    • Use o cinto de segurança em todos os lugares do carro (à frente e atrás), em viagens longas e em distâncias curtas.
    • O uso adequado de cinto de segurança reduz o risco de morte em 61% nos acidentes por colisão. (OMS)
       
  • Se viajar com crianças transporte-as, sempre, num dispositivo de retenção (cadeirinha) adaptado.
    • Bebés e crianças são, obrigatoriamente, transportadas num Sistema de Retenção homologado e adaptado ao peso e de acordo com a idade.
    • O Dispositivo de Retenção de Crianças deve ser instalado no banco de traz do carro e consiste em uma cadeirinha ou dispositivo elevatório adequada à idade (pelo menos até aos 12 anos) ao peso (até 36 kg) e à altura da criança (até 150cm), que deve estar corretamente instalada no veiculo e ser utilizada durante toda a viagem.
       
  • O álcool prejudica seriamente a condução. Se bebeu não conduza!
    • O consumo de álcool afeta as capacidades físicas e psíquicas dos condutores, sendo causa direta ou indireta de inúmeros acidentes de viação. A absorção do álcool depende de fatores pessoais (é maior nas mulheres e nos adolescentes), da sensibilidade individual, da forma de absorção e das características da bebida.
    • O cumprimento da legislação sobre álcool e condução reduz em 20% os acidentes relacionados com o consumo de álcool. (OMS)
       
  • Os medicamentos e as substâncias psicotrópicas podem interferir com a capacidade de conduzir.
    • Os medicamentos, incluindo os de venda livre, podem afetar a capacidade para a condução.
    • Os medicamentos como calmantes e antidepressivos (antipsicóticos, ansiolíticos, hipnóticos, sedativos e psicotrópicos) podem prejudicar as capacidades de atenção e vigilância, o tempo de reação, as capacidades percetivas e cognitivas e o desempenho motor (muscular e reflexos).
    • Se está a tomar medicamentos, fale com o seu médico e leia o prospeto do medicamento, antes de viajar.
       
  • O uso de telemóvel aumenta o risco de acidente.
    • O uso de telemóvel enquanto se conduz é um importante fator de distração, diminui a atenção e reduz a capacidade de reação. Tem um impacto significativo no comportamento do condutor que se agrava nos primeiros 5-6 minutos de conversação. O risco de acidente aumenta quatro vezes nos condutores que usam telemóvel.
       
  • Seja gentil e pratique a cortesia ao volante!
Se vai viajar de mota, lembre-se que:
Todos os conselhos sobre a segurança do carro aplicam-se à mota: é indispensável planificar a viagem, verificar estado e a manutenção da mota, instalar as malas laterais sem as sobrecarregar.
  • É fundamental que o condutor esteja em boas condições físicas.
  • O uso de capacete é obrigatório para o condutor e para o eventual acompanhante (pendura).
  • O uso de capacete reduz significativamente as consequências graves e/ou fatais dos acidentes. (OMS)
Se vai viajar de bicicleta, lembre-se que:
Em Portugal existe uma rede de ciclovias, ecopistas e ecovias, seguras e agradáveis, inseridas em áreas de interesse ambiental que promovem inúmeros itinerários alternativos. Andar de bicicleta é saudável e é uma forma de viajar mais sustentável em termos ambientais.
Viajar de bicicleta é barato, permite interação com o meio e as populações, permite usufruir de paisagens, cheiros e experiencias únicas de convívio.
Mas, para que a viagem decorra da melhor maneira, o ciclista deve estar em boas condições físicas e, antes de a iniciar, é indispensável:
  • Planificar a viagem, incluindo os locais onde vai comer e dormir, fazer a revisão da bicicleta e reduzir a bagagem.
  • Para grandes viagens, fazer um itinerário e ter uma bússola e um mapa de orientação ou um GPS, mas também um pequeno estojo de primeiros socorros e um protetor solar.
  • Utilizar roupa adequada com colete ou faixa refletora.
  • Usar sapatos confortáveis e adaptáveis aos pedais da bicicleta.
  • O uso de capacete é obrigatório.
  • Se possível, não viaje sozinho.
  • Esteja atento aos sinais de cansaço e fome, e faça uma pausa pelo menos de 2 em 2 horas. Tenha sempre uma pequena reserva de frutos secos, bolacha e chocolates para qualquer emergência.
  • Durante a viagem de bicicleta mude regularmente a posição das mãos no guiador por forma a repartir a tensão por vários grupos musculares.
  • Ao longo da viagem, vá dando noticias… pelo menos à família e aos amigos!
Se vai viajar para o estrangeiro lembre-se de:
Não esquecer, de todos os viajantes do grupo, o Passaporte ou Bilhete de Identidade, vistos e formulários médicos destinados à obtenção assistência médica no estrangeiro, confirmações das reservas efetuadas, mapas e moradas do local para onde vai. Verificar a cobertura do seguro de viagem com o agente.
Adeque a bagagem às condições climáticas do destino.
A medicação crónica deve ir sempre na bagagem de mão. Os restantes medicamentos devem ser acondicionados numa caixa, pequeno saco ou estojo para guardar na bagagem (ver ponto 11, estojo de medicamentos).
Na bagagem de mão leve os seus medicamentos e, eventualmente, analgésicos, anti-histamínicos, antipiréticos e antidiarreicos.
Tenha atenção aos problemas  como as perturbações do sono, do apetite e da mudança dos hábitos alimentares que estão relacionados com a mudança de fuso horário (ver ponto 9, Se vai viajar de avião e ponto 3, Alimentos e água).
Não leve objetos de valor.
Deixe sempre, com uma pessoa da sua confiança, cópia do passaporte e o itinerário da viagem bem como os contactos dos hotéis previamente reservados.
Vá e venha, guardando boas recordações!


5. Exposição solarExposição solar e radiação ultravioleta
1. Antes de viajar ou ir de férias
  • Informe-se sobre as condições climáticas habituais e extremas que podem ocorrer na área geográfica para onde se desloca, na época do ano em que irá lá permanecer, nomeadamente, temperatura máxima, temperatura mínima e níveis de radiação ultravioleta;
  • Previna-se com roupa e acessórios adequados, não esquecendo chapéu de abas largas, óculos de sol com proteção UVA e UVB, e protetor solar com fator de proteção igual ou superior a 30.
  • Caso sofra de doença crónica ou esteja a fazer dieta com pouco sal ou restrição de líquidos, deve aconselhar-se com o seu médico.
2. Durante a viagem e a estadia
  • Quando viajar de carro:
    • evite viajar quando as temperaturas forem elevadas, prefira as horas de menos calor e não feche completamente as janelas se o veículo não tiver ar condicionado;
    • leve água suficiente ou sumos de fruta natural, sem adição de açúcar;
    • não permita a permanência de crianças, grávidas ou idosos em viaturas expostas ao sol.
       
  • Proteja-se da exposição direta ao sol:
    • evite a exposição direta ao sol quando os valores da temperatura ou da radiação ultravioleta forem elevados;
    • as crianças com menos de 6 meses não devem ser sujeitas a exposição solar pelo que não se aconselha a sua ida à praia. As crianças com menos de 3 anos deverão evitar a exposição direta ao sol;
    • nos períodos de maior calor procure permanecer em ambientes frescos, como jardins, monumentos, centros comerciais ou no hotel;
    • no exterior, use roupa solta, opaca, cobrindo a maior parte do corpo, chapéu de abas largas, óculos de sol com proteção UVA e UVB  e renove o protetor solar de 2 em 2 horas e depois do banho.
       
  • Beba mais água e sumos naturais, mesmo sem ter sede, quando as temperaturas forem elevadas;
  • Realize as atividades que exijam esforço físico intenso nas horas de menos calor, tais como os desportos;
  • Dedique especial atenção às crianças e idosos;
  • Em caso de ‘Golpe de Calor’ alivie o excesso de roupa, pulverize o corpo com água fresca, dê líquidos (se a pessoa estiver consciente) e contacte o médico ou o número de emergência 112;
  • Em caso de queimadura solar, aplique compressas frias e húmidas, retire objetos que conservem o calor (anéis, colares, brincos), proteja a zona queimada com lenço ou pano limpo, e se necessário contacte o médico.

6. Proteção contra mosquitos e outros vetores (carraças, pulgas, etc)
  • Repelentes de insetos
    • Com dietiltoluamida (DEET) ou butilacetiletilaminopropionato (repelente 3535)
    • Renovações em todas as áreas expostas (de 4 em 4 horas)
        
  • Serpentinas (espirais)
    • Com um piretróide sintético, vaporiza inseticida, requerendo ou não energia elétrica
       
  • Spray inseticida
    • Efeito imediato e letal, mas de curta duração
       
  • Roupa protetora
    • Roupa não muito fina, com repelente de insetos
    • Proteção adicional com tratamento da roupa com permetrina
       
  • Redes mosquiteiras
    • Impregnadas ou não com piretróides sintéticos
    • Entaladas no colchão, depois de verificar que não há nenhum mosquito no seu interior; confirmar se a rede não está rasgada
    • Janelas portais e beirais com redes mosquiteiras;
       
  • Ar condicionado
    • Afugenta os mosquitos e outros insetos.

7. Comportamentos
Conflitos interpessoais
Um conflito interpessoal tem na sua génese um problema de comunicação entre 2 ou mais pessoas. Habitualmente, surge quando existe uma diferença de opinião, provocada por dissemelhanças de vária ordem, nomeadamente de personalidade, mas em especial por diversidades culturais, facto que acontece quando se viaja para um pais estrangeiro.
A violência interpessoal é uma das principais causas de mortalidade e morbilidade dos jovens europeus, entre os 15 e os 29 anos, quando viajam para outro país. A prevenção dos conflitos é um aspeto muito importante para a sua saúde quando viaja.
Como medidas principais, saliento as seguintes:
  • Informar-se dos hábitos culturais do país para onde vai viajar;
  • Se está cansado ou em situação de stress, ser ainda mais cuidadoso para manter a calma e evitar as situações de conflito;
  • Perante um conflito tente identificar qual é o problema em vez de fazer acusações, e de seguida esforce-se por encontrar possíveis soluções que sejam aceitáveis para ambas partes;
Existe outra situação que pode ser origem de conflito e que se relaciona com o tempo que as pessoas passam juntas. Perante problemas inesperados, uma relação de amizade ou até familiar pode resultar num conflito.
Isto porque, em altura de férias, as relações interpessoais, em família ou no círculo de amigos, podem modificar-se. O tempo de permanência em convívio direto entre as pessoas aumenta, a partilha dos espaços torna-se diferente e as atividades e rotinas diárias modificam-se. Quando se viaja, todos estes factos se tornam mais evidentes. Em regra, todas estas modificações são vividas com prazer, mas podem também ser fonte de alguma conflitualidade e sofrimento emocional.
Há, por isso, que procurar dissipar rapidamente os primeiros focos de tensão, alargando o grau de aceitação das diferenças e prevenindo situações que possam causar mal-estar no grupo. A bem do equilíbrio emocional de cada pessoa e do bem-estar coletivo é de toda a vantagem que se negoceiem espaços pessoais, objetos, comportamentos e atividades, de modo a que se preservem as vontades individuais sem comprometerem o interesse coletivo.
Tenha calma, respeite os outros e goze as suas férias!


8. Infeções Sexualmente Transmissíveis
As infeções sexualmente transmissíveis (IST) mais importantes são o VIH/SIDA, hepatite B, sífilis, gonorreia, herpes genital, infeções por clamídia, tricomoníase, cancro mole e condiloma genital.
A única IST que pode ser prevenida pela vacinação é a hepatite B (vacina no Programa Nacional de Vacinação).
A transmissão ocorre através de relações sexuais não protegidas (homo e heterossexual: vaginal, anal ou oral). A hepatite B, o VIH e a sífilis podem também ser transmitidas por sangue ou seus derivados, nomeadamente através de transfusões, injeções com seringas e agulhas contaminadas e por meio de instrumentos cirúrgicos ou dentários não esterilizados ou outros materiais pontiagudos de penetração na pele (p.e., acupuntura, “piercing” e tatuagens).
Não existe risco de transmissão de IST no contacto diário em sociedade, em casa ou no trabalho. As pessoas não correm nenhum risco de contrair estas doenças ao partilharem transportes (aviões, barcos, autocarros, automóveis, comboios) com indivíduos infetados.
Está provado que os preservativos, se utilizados corretamente, podem prevenir a transmissão de VIH e outras IST.
Lembre-se:
  • O risco de infeção é tanto maior quanto maior for o número de parceiros sexuais;
  • A infeção pode ser transmitida por um parceiro sexual aparentemente sem sinais de doença;
  • Evite contactos sexuais ocasionais;
  • Evite contactos sexuais com múltiplos parceiros ou com alguém que os tenha;
  • Utilize corretamente o preservativo;
  • Use apenas a sua escova de dentes e lâminas de barbear.

9. Se vai viajar de avião
As viagens internacionais tiveram nos últimos anos uma expansão surpreendente. Os objectivos subjacentes a estas deslocações dividem-se entre motivos profissionais, recreativos e humanitários.
Esta situação condicionou a exposição dos viajantes a novos factores de risco, nomeadamente na área ambiental e das doenças transmissíveis.

As viagens internacionais podem produzir no viajante mudanças físicas associadas ao ambiente que podem perturbar de forma significativa o seu equilíbrio. A súbita exposição a mudanças de altitude, humidade, temperatura e agentes microbianos podem alterar o estado de saúde do viajante. O stress, a fadiga das viagens longas, a idade, o estado de saúde, o destino e o tempo de permanência são também factores dos quais depende o bem-estar do viajante.
Um planeamento atempado da viagem que inclua medidas de prevenção adequadas permite minimizar os riscos associados às viagens.

Pressão do ar na cabina do avião
Durante as viagens aéreas, há uma diminuição da pressão do ar e consequentemente uma ligeira diminuição do oxigénio disponível, bem tolerada por indivíduos saudáveis, mas que pode não ser tolerada convenientemente por passageiros com algumas doenças crónicas (cardíacas, respiratórias, anemia ou cirurgia recente).
Para evitar a sintomatologia das alterações de pressão, todos os passageiros devem:
  • Engolir e/ou mastigar na aterragem podendo, se a dor nos ouvidos persistir realizar a manobra de Valsava (expiração forçada, tapando o nariz e a boca) 
  • Evitar a ingestão de bebidas alcoólicas e com gás.
Humidade na cabina do avião
A diminuição da humidade origina algum desconforto, que pode ser minorados por:
  • Ingestão de líquidos antes e durante o voo;
  • Aplicação de loção hidratante na pele;
  • Aplicação de gotas nasais de soro fisiológico;
  • Uso de óculos em vez de lentes de contacto.
Enjoo
É raro. No entanto, os passageiros susceptíveis devem:
  • Solicitar lugares junto a asa do avião e/ou janela;
  • Manter sempre acessível o saco de enjoo;
  • Se necessário, tomarem preventivamente um medicamento adequado.
Jet Lag
A alteração dos padrões do sono e de outros biorritmos diários, em, resultado da mudança de fuso horário pode originar desidratação, fadiga, stress, indigestão, mal-estar geral, insónia, diminuição do desempenho físico e intelectual.
O viajante deve:
  • Descansar bem antes da partida e durante o voo;
  • Beber muita água e/ou sumos de fruta antes e durante o voo;
  • Comer refeições ligeiras e evitar o consumo do álcool antes e durante o voo;
  • Adaptar-se ao horário do destino o mais rapidamente possível (horas de refeição, sono), começando preferencialmente durante o voo;
  • Após a chegada, garantir a exposição à luz natural do sol.
Imobilidade e Problemas Circulatórios
A imobilidade prolongada, especialmente quando o viajante permanece sentado, favorece o aparecimento de pernas inchadas (edemas), duras e desconfortáveis. Pode verificar-se a formação de tromboses venosas, a maioria delas sem sintomas e sem consequências.
O viajante deve:
  • Executar exercícios simples com frequência durante o voo;
  • Utilizar meias elásticas especiais para viagens aéreas;
  • Utilizar roupas largas e confortáveis;
  • Executar exercícios ligeiros após a chegada.
As viagens aéreas devem ser efectuadas só após a avaliação e aconselhamento médico nas seguintes situações:
  • Recém-nascidos com menos de 7 dias (ou maior tempo de vida se forem prematuros);
  • Grávidas nas últimas 4 semanas de gestação (8 semanas se forem gémeos) e até 7 dias após o parto;
  • Doentes com angina de peito;
  • Viajantes com qualquer doença infecciosa em fase de contágio (p.e., tuberculose);
  • Praticantes de mergulho com botija, com vários mergulhos em menos de 24 horas;
  • Indivíduos com enfarte do miocárdio ou trombose (acidente vascular cerebral) recentes;
  • Indivíduos com doença respiratória crónica severa e falta de ar em repouso;
  • Hipertensão arterial não controlada: máxima superior a 20 cm Hg.

10. Altitude
O viajante deve evitar viajar directamente para altitudes elevadas. Caso tal aconteça, deverá interromper a viagem por 2 a 3 noites a 2550-3000 m de altitude, com o objectivo de prevenir a doença da altitude (dor de cabeça, perda de apetite, náuseas, vómitos, insónia, fadiga, irritabilidade).
Os viajantes com doenças cardíacas, pulmonares ou anemia são mais susceptíveis e devem procurar aconselhamento médico antes de viajarem.


11. Estojo de viagens
Sugestão de kit de viagem
Produtos de higiene/outros
  1. Frasco pequeno ou toalhetes de solução anti-séptica (para lavar as mãos e feridas)
  2. Soro fisiológico (frasco pequeno, p. e. gotas nasais)
  3. Protector solar (mínimo SPF 30, frasco pequeno)
  4. Óculos de sol / chapéu de abas largas
  5. Repelente de insectos contendo DEET (30-50%), em spray ou roll-on
  6. Pensos rápidos de diferentes tamanhos
  7. Termómetro digital
  8. Preservativos
  9. Lanterna pequena
  10. Pequeno canivete multi-usos
  11. Fósforos
Produtos para primeiros socorros
  1. Ligaduras, compressas esterilizadas pequenas, adesivo
  2. Sais para re-hidratação oral (p. e. Dioralyte®)
  3. Pomada para alergias, queimaduras e picadas 
  4. Pomada com antibiótico (p. e. Fucidine®)
  5. Creme anti-fúngico (p. e. Canesten®)
  6. Luvas de látex
Medicamentos
  1. Medicação crónica em quantidade necessária para o tempo de estadia, com algum excedente para as emergências
  2. Medicamentos para dores ou febre (os que toma habitualmente nessas circunstâncias, p. e. paracetamol)
  3. Medicamento para as alergias (p. e. anti-histamínico)
  4. Descongestionante nasal (se tiver problemas de ouvidos nos aviões)
  5. Medicação prescrita para a viagem em quantidade suficiente, p. e. anti-maláricos
  6. Medicação para a diarreia (p. e. loperamida)
  7. Medicação para o enjoo (p. e. metoclopramida)
  8. Laxante suave (tipo lactulose)
  9. Anti-ácido em pastilhas (p. e. Pepsamar®)
Deve utilizar-se uma caixa ou pequeno saco ou estojo para guardar estes itens na bagagem, com excepção da medicação crónica, que deve ir sempre na bagagem de mão.


12. Cuidados no regresso
Se no regresso de outro país, ou nos 30 dias seguintes, apresentar sintomas como febre ou diarreia deverá consultar o seu médico assistente.
Com alguma frequência e os viajantes internacionais apresentam um problema de saúde durante ou após as suas viagens. A maior parte destas situações não são graves, mas calcula-se que aproximadamente 5% dos casos necessitam de tratamento médico.
Se após o regresso apresentar, entre outros possíveis, sintomas como febre, diarreia, vómitos, problemas respiratórios ou da pele, deverá recorrer ao médico para despiste de doenças como a malária, febre-amarela, dengue, ricketsiose, leptoespirose ou giardose que requerem tratamento médico.

BOAS FÉRIAS...